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4 de nov de 2009

FILOSOFANDO COM A ESCLEROSE MÚLTIPLA


Olá pessoal, muito calor por aí? Aqui tá demais, nem no dia dos finados que era comum chover por aqui, não choveu, e fez um calorão com muito sol.

Aproveitamos para tomar sorvete! Aqui em São Carlos temos uma semana parada, hoje foi aniversário da cidade, ou seja, um feriado emendado no outro. Pena que o Baby trabalha em Araraquara, cidade vizinha. Não teremos aula de francês, academia, e outras cositas mais.

Tá bom, mas não é sobre isso que quero escrever aqui, por acaso vocês se lembram do filme que fui assistir com minhas sobrinhas no cinema,"UP-Altas aventuras", uma animação de muita emoção, para quem não sabe do estou falando veja aqui. Assistam ao filme é maravilhoso e a versão dublada é com a voz do Chico Anysio que ficou muito legal, estou louca para assistir novamente.

Estou lembrando de um filme infantil para falar de um assunto muito importante em nossas vidas que na loucura do nosso dia a dia nem nos tocamos. Numa dessas madrugadas assisti a reprise do programa "café filosófico" da cultura, no qual uma filósofa-psicanalista e um terapeuta corporal debateram o tema "o que podem os afetos?". Mas o que seria esse afeto? É o impulso do ânimo, ou sua manifestação.Também é sentimento, paixão, amizade, amor e simpatia.

Na tela da tv a filósofa Viviane Mosé fala que nós sempre buscamos um lugar na sociedade, imitando ou seguindo um modelo, "queremos nos encaixar no jogo ao invés de jogar nosso próprio jogo", e é isso que nós tentamos as vezes fazer e acabamos nos sentindo frustrados, sabemos que isso não faz bem para ninguém, se comparar, seguir um modelo, mas no caso de nós "capengados" fica um pouquinho pior, a gente tem vontade de fazer as coisas que o outro faz, mas aquele modelo não se encaixa na nossa realidade.

E nas palavras da psicanalista-filósofa, a vida está diminuída, quase por um fio. Não só pela sociedade que acaba nos influenciando muito mas até pelo nosso inconsciente.

Para ela a vida se inventa em nós e nós nos inventamos na vida. Suas palavras são baseadas em Foucault um dos maiores pensadores do século XX (filósofo e historiador mas não gostava de ser lembrado como nenhum dos dois), ela diz que a vida é arte e que a morte não é o oposto da vida, mas que viver é morrer a cada instante.

O que significa que viver é perder a toda momento, a palavra morte nos assusta muito, mas na verdade é o que está acontecendo cada dia mais em nossas vidas. É como os palestrantes no programa exemplifica os sentimentos da modernidade nos mostrando a relação que os jovens tem com tudo hoje em dia.

Onde o terapeuta corporal Nelson Lucero chama de "vida fast-food", essa relação dos jovens que não se apega a nada e a ninguém.

Meus queridos leitores, pensando bem concordo, já falei aqui sobre relacionamentos descartáveis, entre homens e mulheres. Mas na verdade acredito que isso aconteça em todos os campos, vocês se lembram quantos amigos a gente tinha? A amizade é um sentimento muito valioso, por isso a gente guardava "debaixo de sete chaves dentro do coração", mas hoje as pessoas descartam umas as outras, com medo do que eles chamaram de morte, ou seja, da perda. Essa vida fast-food, que se "troca" de amigos a cada dia, é onde o sentimento não aparece, então não deixa morrer, ou melhor perder, porque ninguém gosta de perder e esse é um sentimento que dói.

E dói mesmo não é? Claro que a perda de alguém não se compara a nada, ainda mais quando esse alguém é querido por nós. Mas existem muitas outras perdas que a vida nos mostra a cada dia. Acredito que isso é o mais difícil depois da esclerose múltipla, é o que chamam de aceitação da doença. Mas como aceitar algo que "te deram" e você não queria? Só vivendo isso mesmo para saber, porque me lembro quando saí do consultório do meu doutorzinho pela primeira vez, feliz da vida porque tinha acabado de descobrir o que era tudo aquilo que estava atrapalhando muito minha vida.

Mas dias depois estava eu lá, correndo com um monte de dúvidas, medos e muita mas muita insegurança. E lá começou as minhas perdas, perdi a sensibilidade nas pernas, a visão do olho esquerdo, o sossego, a disposição, o sono, alguns quilos (isso foi bom), a indepedência, mas nada(graças a Deus) que não pudesse conseguir de volta.

Minha vista voltou "quase" que totalmente!! Ah, perdi o medo também, "quase" que totalmente!!! Hehehehe

Ganhei também, muito com a EM, aprendi a dar mais valor a vida, a ver muita beleza nas pessoas, ganhei uma forma de me conhecer melhor e gostar mais de mim, gostar mais do que sou hoje, ganhei novos amigos, ganhei um sentimento maior de solidariedade e a cada dia que começa já estou ganhando!!

É o que a psicanalista chama de aprender a morrer, ganhando e perdendo durante a vida.

Quem não reconhece os limites não percebe as perdas e os ganhos, "nós deveríamos amar os limites, pois eles nos permite a organizar esse caus que somos". Em Foucault e Nietzsche, ela mostra como encaramos errado o excesso de afeto porque não consiguimos lidar com eles e na verdade tentamos acabar com esses sentimentos na hora que deveríamos enfrentá-los. Chorar uma perda, ficar na fossa, "curtir o luto" como falamos.

Trazendo o assunto para nossa sáude, o terapeuta Nelson Lucero nos mostra o mal que nos faz se esquivar do sofrimento e claro das alegrias. Diz que "somos puro deslimites", que todos os sentimentos vão encontrar correspondência em nosso corpo, fala da pulsação da vida, que se resume em excitação e tensão que é o que impulsiona a nossa vida, esses afetos. E o que não pode acontecer é reprimir esses afetos, fugir desses sentimentos de perda e ganho. Que essa repressão pode atingir nosso corpo, nos trazendo doenças ou piorando aquela que já temos!!
Por isso gente vamos liberar todos os sentimentos, e aquela velha história "guardar rancor faz mal pro coração"!! Ou melhor, pra tudo não é?
Se você tá com vontade de chorar chore! Se quiser dar risada quando tropeça, ria! Se estiver com raiva ponha para fora, nem que seja falando pra você mesma no espelho! Se não estiver contente com tudo, reclame! Se quiser cantar, cante bem alto! Se estiver com vontade de dançar, dance uma música que goste muito! Mas não esqueça que temos que enfrentar os sentimentos e não se esquivar deles!

Vocês devem estar se perguntando, mas o que tudo isso tem a ver com um simples filme infantil? Quem assistiu sabe que o filme é pura emoção, vários sentimentos tratados numa animação para crianças! Muitos afetos!

Pessoal, peço desculpas pelo tamanho do post, e espero de coração que tenham gostado da minha viagem de "ex" professora de filosofia. Não resisti em colocar aqui pra vocês, por isso demorei para voltar a escrever, esperei organizar o meu pensamento......Hehehehehee

Se é que em algum momento ele se organizou né? Hehehehehe


Grande beijo para vocês!!!







2 comentários :

  1. Excelente Fabi!!!
    O post ficou grande não só no tamanho, mas na essência, no que transmite pra gente.
    Mais uma lição de vida que nos deu amiga.
    Vamos enfrentar nossos sentimentos "integralmente" e não "refinadamente, de fácil digestão". Temos que ser adultos e maduros para enfrentarmos esse turbilhão de sentimentos que passam todos os dias por nossas vidas. Temos que fazer isso de uma forma saudável, evitando pagar com nosso corpo, nossa saúde, por erros da nossa cabecinha....
    Beijo grande amiga!!!!

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  2. Querida Rê adorei "de fácil digestão", porque é assim mesmo que a gente faz pra não encarar de frente não é? Que bom que você não achou chato e cansativo o post! Brigadinha sempre!!
    Bjs

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